

A Mochila Pesada
“Lancem sobre Ele toda a sua ansiedade, porque Ele tem cuidado de vocês.”
1ª Pedro 5:7
O sol da tarde já estava mais fraquinho, e uma brisa leve passava pelo quintal da casa da vovó Lila. O lugar tinha um cheirinho gostoso de terra molhada, porque a vovó estava fazendo o que fazia quase todos os dias: cuidando das plantas do jardim.
Com um regador azul nas mãos, ela ia devagar, com calma, colocando água em cada vaso. Tinha florzinhas, tempero, uma plantas de folhas bem verdes e até um vaso pequeno que a Beti dizia que parecia “um bebê planta”, de tão delicado que era. A vovó conversava baixinho enquanto regava, como se as plantas entendessem.
Naquele momento, ela ouviu o barulho do portão abrindo.
Rafa e Beti entraram devagar, bem diferente do costume. Normalmente, chegavam contando tudo ao mesmo tempo, rindo e falando alto. Mas, naquele dia, estavam quietos. Os dois carregavam as mochilas como se estivessem cheias de pedras.
Rafa colocou a mochila no chão e soltou um suspiro tão grande que parecia sair lá do pé.
Beti encostou no banco do quintal, segurando as alças da mochila, com o rosto cansado.
A vovó Lila olhou com atenção e perguntou com carinho:
— Oi, meus amores… vocês chegaram tão silenciosos… aconteceu alguma coisa?
Rafa deu de ombros, meio sem vontade:
— Ah, vovó… foi um dia pesado.
Beti completou:
— Pesado mesmo. Parece que a nossa mochila ficou… duas vezes maior!
A vovó sorriu de leve, sem rir deles, mas como quem entendeu direitinho.
— Então venham cá. Sentem aqui no banco… e me contem. Mas primeiro… me ajudem com uma coisa.
Ela apontou para o regador.
— Vocês podem me ajudar a dar água para essas plantas? Só um pouquinho, com cuidado.
Rafa fez uma cara de “não tô muito com vontade”, mas pegou o regador. Beti também se levantou e foi junto. Os dois começaram a regar, um vaso por vez.
A vovó observou e perguntou:
— Por que vocês acham que eu rego essas plantas todos os dias?
Beti respondeu, sem pensar muito:
— Porque se não regar, elas murcham.
Rafa acrescentou:
— E algumas morrem.
A vovó fez que sim com a cabeça.
— Isso mesmo. Plantas precisam de cuidado. Precisam de água, luz, um bom lugar… e alguém que lembre delas todos os dias.
Rafa olhou para uma planta bem pequenininha e disse:
— Essa aqui é tão pequena… se a senhora esquecer, ela sofre rápido.
A vovó Lila colocou a mão no ombro dele.
— Exatamente. Agora me digam uma coisa… vocês acham que Deus esquece das plantinhas no campo?
Beti arregalou os olhos:
— No campo? Tipo… as árvores e as flores que ninguém rega?
— Sim — respondeu a vovó. — Quem dá água para elas? Quem faz chover? Quem manda o sol na medida certa?
Rafa ficou pensando.
— Deus…
— Isso — disse a vovó. — Deus cuida das plantas do quintal, das árvores do mundo inteiro e até das flores escondidas que ninguém vê. E Deus cuida também dos animais… até dos passarinhos pequenininhos que comem migalhas.
Beti olhou para um passarinho que tinha pousado no muro.
— Então… Deus cuida desse passarinho também?


— Cuida, sim — respondeu a vovó. — E se Ele cuida das plantas e dos animais… vocês acham que Ele cuidaria menos de vocês?
Rafa abaixou os olhos.
— Eu sei que cuida… mas hoje eu tô me sentindo… pesado por dentro.
Beti fez uma carinha triste:
— Eu também.
A vovó Lila sentou com eles no banco, bem perto.
— Então agora é hora de a gente conversar sobre essa “mochila pesada” que não é só de pano.
Rafa puxou a mochila para perto.
— Na escola teve prova surpresa, e eu fiquei nervoso. Depois teve um trabalho em grupo e ninguém quis fazer comigo. Eu fiquei com raiva e com vergonha. Aí eu pensei: “Eu sempre faço tudo errado.”
Beti segurou a alça da mochila e falou baixinho:
— Hoje eu briguei com uma amiga… e depois eu fiquei pensando nisso o dia inteiro. Parece que a cabeça fica repetindo o problema, sabe? E eu fiquei cansada, vovó. Muito cansada.
A vovó Lila respirou fundo, como quem recolhe as palavras com cuidado.
— Meus amores… isso que vocês estão sentindo acontece com todo mundo. Às vezes, a gente carrega preocupações como se fossem livros pesados dentro da mochila. Só que preocupações não foram feitas para morar no nosso coração o dia todo.
Rafa franziu a testa:
— Mas como a gente tira isso de dentro?
A vovó apontou para um vaso grande e bonito no canto do quintal.
— Estão vendo aquela planta ali? Ela só cresce porque recebe água e porque tem onde colocar as raízes. A gente também precisa de um lugar seguro para colocar o que pesa.
Beti perguntou:
— E qual é esse lugar?
A vovó abriu a Bíblia que estava numa mesinha de jardim, bem do lado do regador.
— Jesus.
Rafa olhou:
— Jesus?
— Sim — respondeu ela. — A Bíblia diz: “Lancem sobre Ele toda a sua ansiedade, porque Ele tem cuidado de vocês.”
Beti repetiu devagar:
— “Ele tem cuidado de vocês”…
— Exatamente — disse a vovó. — “Lançar” é como pegar um peso e entregar. É como quando vocês estavam com o regador: vocês colocaram água na planta para ela não carregar sozinha a secura. Com as preocupações, a gente faz algo parecido: a gente entrega para Deus o que está secando o coração.
Rafa ficou sério:
— Mas… Deus realmente quer ouvir as minhas preocupações? Até as pequenas?
A vovó sorriu:
— Quer, sim. Sabe por quê? Porque para Deus, vocês não são pequenos demais para Ele ouvir. E nenhum problema é pequeno demais para Ele cuidar.


Beti perguntou:
— Então… dá pra entregar agora?
— Dá — disse a vovó. — Vamos fazer uma coisa bem simples.
Ela pegou duas pedrinhas do chão do quintal.
— Cada um vai segurar uma pedrinha e pensar numa preocupação. Só uma. Aquela que está mais pesada hoje.
Rafa segurou uma pedrinha e falou:
— Eu tô preocupado em ser ruim na escola… e as pessoas rirem de mim.
Beti segurou a pedrinha com cuidado:
— Eu tô preocupada em perder minha amiga… e ficar sozinha.
A vovó Lila pegou uma terceira pedrinha.
— E eu vou colocar aqui uma preocupação também… porque adultos também têm. E eu vou mostrar para vocês como eu faço.
Ela fechou os olhos e fez uma oração simples, bem de verdade:
— Jesus, aqui está a minha preocupação. Eu não quero carregar sozinha. Eu entrego para o Senhor, porque o Senhor cuida de mim.
Depois ela olhou para eles.
— Agora vocês.
Rafa fechou os olhos, meio tímido, e falou:
— Jesus… eu tô com medo. Eu não quero ficar pensando que eu sou um fracasso. Me ajuda. Eu entrego isso para o Senhor.
Beti orou também:
— Jesus… eu tô triste com a minha amiga. Me ajuda a fazer as pazes. Eu entrego essa preocupação para o Senhor.
A vovó então apontou para um vasinho.
— Agora coloquem as pedrinhas aqui, na terra. Não para enterrar a preocupação, mas para lembrar que ela não mora mais no coração de vocês. Ela ficou com Jesus.
Rafa colocou a pedrinha. Beti colocou a dela.
E, naquele instante, o quintal pareceu mais silencioso e mais leve. Não porque os problemas tinham sumido como mágica, mas porque os dois tinham feito algo poderoso: tinham parado de carregar sozinhos.
A vovó Lila continuou:
— Amanhã você pode conversar com o professor, pedir ajuda com o conteúdo, e lembrar que errar faz parte de aprender. E, Beti, você pode conversar com a sua amiga e dizer o que sentiu. Mas o mais importante é isso: vocês não estão sozinhos.
Rafa olhou para a plantinha pequenininha e disse:
— Vovó… então Deus cuida da gente como a senhora cuida dessas plantas?
A vovó sorriu com os olhos brilhando:
— Sim. Só que Deus cuida ainda melhor. Ele vê coisas que a gente não vê, sabe do que a gente precisa antes mesmo de pedir… e Ele não se cansa de cuidar.
Beti respirou fundo, como se estivesse soltando um peso invisível.
— Eu acho que minha mochila ficou mais leve…
Rafa abriu um sorriso pequeno, mas verdadeiro.
— A minha também.
A vovó Lila se levantou, pegou o regador e disse:
— Então vamos terminar de regar as plantas. E depois eu vou cortar um pedaço de pão quentinho para vocês. Porque Deus cuida do nosso coração… e a vovó cuida do lanche.
Os dois riram, e o quintal voltou a ter aquele som bonito de vida recomeçando.
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