

O Som da Tempestade
Jesus Acalma o Medo
“Quando eu estiver com medo, confiarei em ti.”
Salmos 56:3
Naquela noite, o céu parecia diferente.
Nuvens escuras haviam coberto as estrelas, e um vento forte soprava lá fora, fazendo os galhos das árvores dançarem de um lado para o outro.
O quarto de Rafa e Beti estava aconchegante.
As camas estavam arrumadas. Os cobertores macios já estavam puxados até o peito das crianças. Um pequeno abajur iluminava o quarto com uma luz suave e amarelada.
Mas, apesar do conforto, ninguém estava conseguindo dormir.
BOOOOM!
Um trovão sacudiu a noite.
Logo em seguida, um clarão atravessou a janela.
Por um instante, todo o quarto ficou iluminado.
Beti apertou o cobertor.
— Rafa… você ouviu isso?
— Ouvi… — respondeu ele baixinho.
Outro relâmpago riscou o céu.
E então veio mais um trovão.
CRAAAAASH!
Dessa vez, os dois pularam na cama.
O vento assobiava pelas frestas da janela.
As cortinas se mexiam devagar.
E cada sombra parecia um pouco maior do que realmente era.
Por alguns segundos, ninguém falou nada.
Porque às vezes o medo chega assim…
Silencioso.
Entrando devagar no coração.
Beti abraçou o travesseiro.
— Eu não gosto de tempestades…
Rafa tentou parecer corajoso.
— Eu também não…
Mais um clarão.
Mais um trovão.
E agora os dois estavam olhando para a janela.
Como se estivessem esperando o próximo.
Foi então que a porta do quarto se abriu devagar.
A vovó Lila apareceu.
Ela usava seu vestido lilás florido e carregava uma pequena lanterna.
Seu sorriso era calmo.
Daqueles que fazem a gente respirar melhor.
— Ainda acordados? — perguntou ela.
Beti assentiu.
— Os trovões estão muito altos…
A vovó sentou-se na caminha da Beti.
— Eu imaginei.
Outro trovão ecoou ao longe.
A vovó esperou o som passar.
Depois perguntou:
— Vocês sabiam que os discípulos de Jesus também ficaram com muito medo durante uma tempestade?
Os olhos das crianças se voltaram para ela.
— Sério? — perguntou Rafa.
— Muito sério.
A vovó ajeitou os óculos.
— Essa história está na Bíblia, em Marcos capítulo 4.
As crianças se acomodaram melhor.
Lá fora a chuva continuava caindo.
Mas agora havia outra coisa acontecendo dentro daquele quarto.
Uma história estava prestes a começar.


— Jesus e seus discípulos estavam atravessando um lago dentro de um barco — começou a vovó.
— E aí começou a chover? — perguntou Beti.
— Muito mais do que chover.
A vovó abriu bem os braços.
— O vento ficou tão forte que as ondas começaram a entrar dentro do barco.
Rafa arregalou os olhos.
— Entrando mesmo?
— Sim.
— E os discípulos ficaram com medo?
— Muito medo.
A vovó fez uma pequena pausa.
O vento bateu na janela.
Como se a própria tempestade estivesse escutando a história.
— Eles achavam que o barco iria afundar.
— E Jesus? — perguntou Beti.
A vovó sorriu.
— Jesus estava dormindo.
Os dois se sentaram na cama de uma vez.
— Dormindo?! — disseram juntos.
A vovó riu.
— Exatamente.
— Como alguém consegue dormir numa tempestade? — perguntou Rafa.
— Porque Ele sabia que estava nas mãos do Pai.
O quarto ficou silencioso.
Só era possível ouvir a chuva caindo lá fora.
Às vezes…a confiança produz uma paz que não faz sentido para quem está olhando de fora.
— Então os discípulos acordaram Jesus — continuou a vovó.
— Eles estavam desesperados.
— Igual a gente? — perguntou Beti.
— Talvez um pouco mais.
Todos sorriram.
— E sabe o que Jesus fez?
As crianças balançaram a cabeça.
— Ele se levantou… olhou para o vento… olhou para as ondas… e disse:
A vovó abaixou a voz.
— “Acalme-se. Fique quieto.”


O quarto parecia ainda mais silencioso.
— E aí? — perguntou Rafa.
— O vento parou.
— Na hora?
— Na hora.
— E as ondas?
— Também.
— Tudo ficou calmo?
— Tudo.
Beti ficou pensativa.
— Então Jesus era mais forte que a tempestade…
— Sim! — respondeu a vovó — Muito mais forte!
Outro relâmpago brilhou pela janela.
Mas agora parecia diferente.
Menor.
Menos assustador.
Rafa olhou para a chuva.
— Vovó…
— Sim?
— Jesus ainda pode acalmar as tempestades?
A vovó sorriu.
— Pode.
— Mesmo hoje?
— Sim.
— Mesmo quando elas acontecem dentro da gente?
A vovó colocou a mão sobre a dele.
— Principalmente essas.
O menino ficou em silêncio.
Pensando.
Porque existem tempestades que não têm chuva.
Tempestades de preocupação.
Tempestades de medo.
Tempestades de tristeza.
E Jesus continua sendo o mesmo.
A vovó então sugeriu:
— Que tal fazermos uma oração?
As crianças concordaram.
Os três fecharam os olhos.
E enquanto a chuva continuava caindo lá fora, eles falaram com Deus.
Pediram proteção.
Pediram paz.
Pediram coragem.
E agradeceram porque Jesus estava com eles.
Quando abriram os olhos…
A tempestade ainda estava lá.
O vento ainda soprava.
A chuva ainda caía.
Mas algo havia mudado.
O medo já não estava sentado no mesmo lugar.
Agora havia paz.
A vovó deu um beijo na testa de cada um.
Apagou a luz.
E caminhou até a porta.
— Boa noite, meus pequenos.
— Boa noite, vovó — responderam juntos.
Poucos minutos depois…
Beti já estava dormindo.
Rafa também.
Lá fora, a chuva continuava cantando sua canção sobre o telhado.
Mas agora ela parecia menos uma ameaça…
e mais uma lembrança.
Uma lembrança de que nenhuma tempestade é maior do que Jesus.
🌱 Reflexão Final
O medo aparece na vida de todo mundo.
Até os discípulos de Jesus sentiram medo durante a tempestade.
Mas eles descobriram algo muito importante:
Jesus estava no barco com eles.
E esse é o segredo desta história.
Nem sempre Jesus acalma a tempestade imediatamente.
Mas Ele sempre cuida de quem está passando por ela.
Quando confiamos nEle, o vento pode continuar soprando…
mas o nosso coração encontra paz.
Porque nenhuma tempestade é maior do que o Deus que está conosco! 💛🌩️⛵


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